Boletim aponta aumento superior a 400% nas ocorrências de gripe em comparação com o mesmo período do ano passado; crianças pequenas lideram número de notificações
Da Redação Jota Moreira
A circulação de vírus respiratórios em Cuiabá apresentou crescimento alarmante nos primeiros meses de 2026. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde mostram que os casos de influenza A e B aumentaram mais de 400% em relação ao mesmo período do ano passado, levando o município a intensificar o alerta para vacinação.
De acordo com o boletim epidemiológico da Vigilância dos Vírus Respiratórios, entre 4 de janeiro e 2 de maio deste ano foram registrados 1.883 casos de influenza A e B. Desse total, 1.454 ocorreram entre moradores da capital mato-grossense.
No mesmo intervalo de 2025, Cuiabá havia contabilizado apenas 290 casos entre residentes da cidade. O salto representa um aumento de 401,63%, segundo os números oficiais apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde.
A Vigilância Epidemiológica avalia que a alta está ligada à maior circulação dos vírus respiratórios neste ano, à baixa adesão da população à vacina contra a gripe e também à ampliação dos exames laboratoriais disponibilizados pela rede de saúde.
Enquanto a gripe avança, o cenário da Covid-19 apresenta movimento contrário. O relatório aponta redução de 89,75% nas notificações da doença em comparação com o mesmo período do ano passado.
A influenza é considerada uma doença de fácil transmissão e pode provocar complicações graves, especialmente em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Por isso, a Secretaria de Saúde reforça a importância da imunização como principal medida de prevenção.
A vacina está disponível nas 72 Unidades de Saúde da Família de Cuiabá. A campanha atende os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, incluindo crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes.
Também podem receber a dose pessoas com deficiência permanente, puérperas, pacientes com doenças crônicas, indígenas, quilombolas e cidadãos em situação de rua. Trabalhadores da saúde, professores, caminhoneiros, profissionais das forças de segurança, integrantes das Forças Armadas, além de funcionários do transporte coletivo, Correios e sistema prisional também fazem parte do público-alvo.
Entre as condições de saúde consideradas prioritárias para vacinação estão doenças cardíacas, respiratórias, renais, hepáticas e neurológicas, além de diabetes, obesidade grave, imunossupressão, pacientes transplantados e pessoas com trissomias.
A Prefeitura também mantém atendimento domiciliar para pacientes acamados ou com dificuldade de locomoção acompanhados pelas equipes das unidades básicas. Nessas visitas, profissionais de saúde realizam vacinação e oferecem atendimentos médicos e odontológicos.
Os dados do boletim revelam ainda que as crianças de até 6 anos concentram o maior número de casos de influenza em 2026, com 780 registros. Na sequência aparecem pessoas entre 15 e 59 anos, com 535 notificações. Já os idosos acima de 60 anos somaram 133 casos até o início de maio.