Mesmo em casos considerados leves, vítimas devem procurar avaliação médica para prevenir complicações e iniciar tratamento adequado
Da Redação Jota Moreira
Uma mordida ou arranhão provocado por cães e gatos pode representar um risco grave à saúde e exige atendimento médico imediato, principalmente pela possibilidade de transmissão da raiva humana, doença considerada quase sempre fatal após o surgimento dos sintomas.
A orientação é reforçada pela Vigilância em Saúde de Várzea Grande, que alerta a população para não ignorar acidentes envolvendo animais domésticos, de rua ou silvestres. A recomendação é procurar uma unidade de saúde logo após o ocorrido para avaliação clínica e definição do tratamento necessário.
Segundo a enfermeira da Vigilância em Saúde, Maria José Neves, a primeira atitude após a agressão deve ser a higienização correta do ferimento. Ela explica que lavar o local com bastante água corrente e sabão ajuda a reduzir o risco de infecção e transmissão de doenças.
Após os primeiros cuidados, a vítima deve ser examinada por profissionais da saúde, que irão analisar a gravidade do ferimento, o tipo do animal envolvido e a necessidade de vacinação antirrábica ou aplicação de soro.
Nos casos em que o cachorro possui dono, apresenta aparência saudável e pode ser acompanhado, a orientação é manter o animal em observação durante dez dias. O período é considerado fundamental para identificar possíveis sinais da doença.
Mudanças bruscas de comportamento, agressividade, excesso de salivação, dificuldade para engolir, medo da água, paralisia e sintomas neurológicos são alguns dos sinais que podem indicar suspeita de raiva no animal.
Se o cachorro continuar saudável após o período de observação, normalmente o esquema vacinal da vítima não precisa ser concluído. Porém, caso o animal desapareça, morra ou apresente sintomas suspeitos, a pessoa deve retornar imediatamente à unidade de saúde.
Quando o acidente envolve cães de rua, animais desconhecidos ou situações em que não é possível acompanhar o animal, a recomendação médica costuma ser iniciar imediatamente a profilaxia antirrábica.
O protocolo mais comum prevê quatro doses da vacina aplicadas em dias específicos definidos pelo Ministério da Saúde. Em ocorrências consideradas graves, também pode ser necessária a aplicação do soro antirrábico.
Entre os casos classificados como de maior risco estão ferimentos profundos, múltiplas mordidas, lesões no rosto, mãos, pés e mucosas, além de ataques envolvendo morcegos ou animais silvestres.
Nos seres humanos, os primeiros sintomas da raiva podem surgir com febre, mal-estar, dores no corpo e sensação de formigamento na região da mordida. Com a evolução da doença, o paciente pode desenvolver agitação, espasmos musculares, dificuldade para engolir, confusão mental e paralisia.
Maria José Neves alerta que muitas pessoas ainda minimizam acidentes com animais, principalmente quando os ferimentos parecem superficiais. Segundo ela, esse comportamento pode colocar vidas em risco.
A médica veterinária do Centro de Controle de Zoonoses de Várzea Grande, Amanda Nunes, orienta a população a evitar qualquer contato com animais desconhecidos, principalmente cães e gatos em situação de rua.
Ela também chama atenção para o perigo envolvendo morcegos e animais silvestres, como capivaras, que podem transmitir a doença. A recomendação é nunca tentar tocar ou recolher esses animais.
Em Várzea Grande, vítimas de mordidas podem procurar atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e no Hospital e Pronto-Socorro Municipal para avaliação médica e encaminhamento da vacinação antirrábica. O município não registra casos de raiva animal desde 2015, mas o Centro de Controle de Zoonoses segue monitorando a situação e disponibiliza atendimento à população pelo WhatsApp para esclarecimento de dúvidas e denúncias de casos suspeitos.
Fonte: Da Assessoria.