Justiça prorroga por 30 dias inquérito sobre suposta compra de votos que levou à cassação de Monnize Zangeroli
Investigação eleitoral apura possível negociação de votos nas eleições de 2024 em Diamantino; vereadora e demais citados negam irregularidades e recorrem ao TRE-MT
Da Redação
A Justiça Eleitoral prorrogou por mais 30 dias o prazo para conclusão do inquérito policial que apura suposta compra de votos nas eleições municipais de 2024. A decisão foi assinada pelo juiz Alexandre Paulichi Chiovitti, da 30ª Zona Eleitoral de Santo Antônio de Leverger, a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE).
A investigação envolve a vereadora cassada Monnize da Costa Dias Zangeroli (União), filha do ex-secretário de Estado Éder de Moraes Dias. Também são citados no inquérito Caetano da Silva e Edson da Silva.
De acordo com os autos, o MPE solicitou novas diligências, principalmente em relação a Caetano da Silva, apontado como um dos supostos articuladores do esquema. Durante buscas realizadas na residência dele, a polícia apreendeu materiais de campanha, santinhos e anotações com nomes de eleitores e valores que estariam relacionados à negociação de votos.
O inquérito apura, em tese, o crime de compra de votos, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral. Entre os documentos recolhidos estão recibos eleitorais, comprovantes de pagamento e notas fiscais, que ainda passarão por análise.
A polícia já encaminhou relatório parcial com depoimentos e demais elementos coletados, mas o magistrado entendeu que é necessário aprofundar as apurações antes da conclusão do procedimento. Ao final do novo prazo, a autoridade policial deverá apresentar relatório conclusivo ao Ministério Público.
Cassação
O inquérito tramita paralelamente à Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que resultou na cassação do mandato de Monnize em julho de 2025. Na decisão, o juiz eleitoral Raul Lara Leite apontou a existência de compra de votos, uso de caixa dois e abuso de poder econômico durante a campanha em Diamantino.
A sentença declarou a inelegibilidade por oito anos de Monnize e de Éder de Moraes Dias, além de multa solidária de R$ 53.205. Também foi determinada a anulação dos votos da candidata e a recontagem do resultado da eleição para vereador.
Conforme a decisão, na véspera do pleito, Éder foi flagrado em um quarto de hotel com cerca de R$ 6 mil em dinheiro. No local, foram apreendidos ainda um celular e um caderno com anotações que, segundo a Justiça, indicariam contabilidade paralela de campanha.
Entre os registros citados está a anotação de R$ 1.080 para uma pessoa identificada como “M.L.”, enquanto na prestação oficial de contas constava o valor de R$ 480. O magistrado também mencionou indícios de despesas não declaradas, como camisetas de campanha encontradas em um veículo utilizado por Éder.
Ao analisar o conjunto de provas, a Justiça Eleitoral concluiu que havia elementos suficientes para caracterizar captação ilícita de sufrágio e contabilidade paralela.
Recursos
Eleita com 377 votos pelo quociente partidário, Monnize permanece no cargo enquanto recorre da decisão no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
A defesa sustenta que não houve irregularidades e afirma que as anotações apreendidas seriam apenas planejamento interno de campanha. Em relação ao dinheiro em espécie, alega que o valor seria destinado ao pagamento de despesas de hospedagem.
O inquérito policial segue em andamento e deve subsidiar eventual nova manifestação do Ministério Público Eleitoral após a conclusão das diligências.