Sessão na Câmara homenageia profissionais dos cuidados paliativos e reforça a importância da escuta, da dignidade e do acolhimento até o fim da vida
Da Redação
Cuidar, acolher e saber escutar. Em muitos casos, isso significa permanecer quando todos já se foram, sustentar o silêncio e garantir dignidade até os últimos instantes. Foi com esse olhar que a Câmara Municipal de Cuiabá realizou, nesta quarta-feira (01/04), uma sessão solene marcada por emoção e reconhecimento aos profissionais que atuam nos cuidados paliativos.
Ao todo, 105 moções de aplausos foram entregues a trabalhadores da área, que lidam diariamente com a dor, os limites da vida e, sobretudo, com a necessidade de humanizar o atendimento. Mais do que técnica, o momento evidenciou a importância da empatia, da escuta ativa e do acolhimento às famílias.
Ao abrir as falas, a vereadora Katiuscia Manteli trouxe um relato pessoal para ilustrar o impacto desse tipo de assistência. Ela lembrou a história de Dona Sofia, que pôde decidir como gostaria de viver seus últimos dias — em casa, cercada pela família e com autonomia sobre suas escolhas. Para a parlamentar, o cuidado paliativo ultrapassa o campo da medicina e se firma no respeito à vontade do paciente.
Durante o discurso, Katiuscia também destacou avanços conquistados ao longo do mandato e pontuou que dar visibilidade ao tema é tão necessário quanto criar políticas públicas. Segundo ela, são os profissionais que estão na ponta que, de fato, fazem a diferença na vida de muitas famílias.
Representando a categoria, a fisioterapeuta Grace Rocatto chamou atenção para um sofrimento que, muitas vezes, não é visto nem ouvido. Segundo ela, há uma dor silenciosa que atravessa o paciente e exige sensibilidade de quem cuida. “É preciso estar presente, acolher e transformar esse sofrimento em cuidado”, resumiu.
Em nome dos homenageados, a médica Mariana de Carvalho reforçou os desafios enfrentados pela equipe ao longo dos anos. Ela destacou que atuar na área exige não apenas conhecimento técnico, mas também coragem, empatia e compromisso constante com o outro, especialmente nos momentos mais delicados.
A coordenadora do programa Melhor em Casa, Suriene Trindade, ressaltou o papel do trabalho em equipe e da proximidade com as famílias. Para ela, o cuidado vai além do paciente e envolve oferecer segurança e conforto no dia a dia, algo que só é possível com profissionais comprometidos e sensíveis.
Já o presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Adriano Pinho, reforçou a necessidade de enxergar o paciente como um todo — alguém com história, nome e vínculos. Ele pontuou que o cuidado paliativo não se limita à doença, mas se estende à vida e à dignidade da pessoa.
A secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela, destacou que, mesmo quando não há possibilidade de cura, o cuidado precisa continuar. Segundo ela, essa é uma das maiores lições deixadas pelos profissionais da área.
No mesmo sentido, a secretária adjunta de Atenção Primária, Cinara Thais, destacou o papel estratégico da atenção básica. De acordo com ela, é nesse nível que o cuidado começa, mas, principalmente, onde ele se mantém, por meio do vínculo com as famílias e do acompanhamento contínuo.
Representando o deputado estadual Max Russi, o secretário adjunto de Direitos Humanos de Mato Grosso, Tuca Nogueira, defendeu a importância da atuação conjunta entre os poderes e do reconhecimento público desses profissionais. Para ele, valorizar esse trabalho é dar visibilidade a uma atuação que, muitas vezes, permanece invisível.
Ao encerrar a solenidade, a vereadora Katiuscia Manteli reforçou o compromisso com a humanização da saúde e com o fortalecimento dos cuidados paliativos no município. Segundo ela, ninguém deveria enfrentar momentos de extrema vulnerabilidade sem apoio, escuta e dignidade — um direito que, na prática, esses profissionais ajudam a garantir todos os dias.