Funcionárias da limpeza relatam ameaças, gritos e medo constante no trabalho; hospital diz que mantém canais de escuta
Da Redação
As denúncias partiram de dentro. Funcionárias do setor de limpeza do Hospital de Câncer de Mato Grosso decidiram colocar no papel o que, segundo elas, vêm enfrentando no dia a dia: pressão, gritos, ameaças e um ambiente que já estaria afetando a saúde emocional de várias trabalhadoras.
Nas cartas, elas apontam dois superiores — um homem e uma mulher — como responsáveis pelo clima considerado insustentável. Os relatos falam em ameaças frequentes de demissão e cobranças feitas de forma agressiva. “Se não aguenta, pede demissão” e “aqui não existe horário” estariam entre as frases ouvidas.
O ambiente descrito é de medo. Segundo as funcionárias, muitos já chegam ao trabalho abalados, sem saber como será o dia. Há relatos de que não conseguem se defender ou sequer falar diante das situações.
Em outro trecho, as trabalhadoras dizem se sentir tratadas com desrespeito e expostas a humilhações. As abordagens, segundo elas, são feitas com gritos e palavras duras, o que tem provocado desânimo e até sintomas de depressão.
Uma das funcionárias relata que a situação piorou após a troca de comando no setor. Desde então, segundo ela, o clima ficou ainda mais pesado. “Eu gostava de trabalhar aqui, mas hoje já penso em desistir”, desabafou.
As denúncias também apontam que uma funcionária que levou os relatos ao setor de Recursos Humanos acabou sendo demitida, o que aumentou o receio entre as demais.
Em nota, o Hospital de Câncer de Mato Grosso afirmou que possui políticas de gestão de pessoas, com ouvidoria ativa, suporte psicológico e avaliações de lideranças. A instituição destacou ainda que mantém canais abertos para que os colaboradores possam se manifestar.
O hospital, no entanto, não respondeu diretamente sobre as denúncias feitas pelas funcionárias.