Quebra de sigilo bancário e depoimentos ajudam a Polícia Civil a identificar mandantes, intermediários e executores do crime que vitimou Renato Nery.
Da Redação
A Polícia Civil de Mato Grosso avançou nas investigações sobre o assassinato do advogado Renato Nery e conseguiu identificar os envolvidos na execução do crime, entre eles mandantes, intermediários e executores. O homicídio ocorreu em 5 de julho de 2024, em frente ao escritório da vítima, em Cuiabá.
As apurações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que solicitou à Justiça a quebra do sigilo bancário de investigados. Com a autorização judicial, os investigadores conseguiram rastrear a movimentação financeira relacionada ao pagamento pela execução do crime.
De acordo com a análise das transações, uma mulher apontada como mandante realizou, em 4 de março de 2024, transferências que somam aproximadamente R$ 200 mil. O dinheiro foi enviado inicialmente para contas de terceiros e, em seguida, passou por uma série de movimentações financeiras, estratégia utilizada para tentar esconder a origem e o destino final dos valores.
Os investigadores também identificaram que outro suspeito evitou receber os recursos diretamente em sua própria conta bancária. Para isso, ele teria orientado que o dinheiro fosse movimentado por meio de intermediários. Parte desse montante foi utilizada já no dia seguinte, em 5 de março, para a compra de um veículo Mercedes-Benz avaliado em cerca de R$ 115 mil, registrado em nome de outra pessoa.
Ainda no mesmo dia, R$ 40 mil foram transferidos para a mãe desse investigado. O restante do valor acabou sendo direcionado posteriormente para a conta do próprio suspeito, em 6 de março.
As investigações apontaram ainda que, no dia 8 de março, a mesma mulher apontada como mandante fez um pagamento direto de R$ 15 mil ao segundo investigado. Com isso, o total de recursos movimentados relacionados ao crime chega a cerca de R$ 215 mil.
Segundo a Polícia Civil, os valores identificados nas transações bancárias coincidem com relatos apresentados por pessoas envolvidas no caso, que indicaram que o pagamento acertado para a execução do homicídio seria de aproximadamente R$ 200 mil.
Um dos investigados também prestou depoimento no dia 12 de março de 2024 e confirmou detalhes sobre a forma como o pagamento foi realizado, reforçando as informações já apontadas pela análise das movimentações bancárias.
Durante a apuração, a polícia também constatou que um dos suspeitos teria adotado mecanismos para ocultar a origem ilícita do dinheiro, utilizando intermediários e fracionamento de valores. A conduta, segundo os investigadores, pode configurar o crime de lavagem de dinheiro.
Com base no conjunto de provas reunidas — incluindo o rastreamento financeiro, depoimentos e outras diligências — a Polícia Civil concluiu que o caso se trata de um crime de mando, no qual houve pagamento para a execução do homicídio qualificado.
O crime
Renato Nery tinha 72 anos e foi baleado na tarde de 5 de julho de 2024, em frente ao escritório onde trabalhava, na capital mato-grossense. Ele chegou a ser socorrido e passou por cirurgia em um hospital particular de Cuiabá, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.
Desde o dia do crime, a DHPP realiza uma série de diligências, incluindo análises técnicas e perícias, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias da execução do advogado.