Deputado aponta falhas na fiscalização e alerta para impactos da alta dos combustíveis na inflação e na produção agrícola
“Da Redação Jota Moreira”
O deputado federal Juarez Costa (Republicanos) responsabilizou a privatização da BR Distribuidora por parte do aumento no preço do diesel e defendeu uma atuação mais firme do governo federal para coibir possíveis práticas de cartel no setor de combustíveis.
Em entrevista, o parlamentar afirmou que a venda da distribuidora — anteriormente ligada à Petrobras — retirou um importante instrumento de equilíbrio de preços no mercado. Segundo ele, a expectativa de maior concorrência após a privatização não se concretizou, dando espaço à formação de grupos que atuariam de forma coordenada.
O processo de desestatização da BR Distribuidora teve início em 2017, durante o governo de Michel Temer, e foi concluído em 2021, já na gestão de Jair Bolsonaro. À época, a companhia foi vendida por cerca de R$ 11,3 bilhões, passando definitivamente para a iniciativa privada.
Juarez Costa reconheceu que o governo federal adotou medidas para tentar frear a alta do diesel, como a redução de impostos e discussões sobre o aumento da capacidade de refino no país. No entanto, avalia que essas iniciativas ainda não são suficientes sem uma fiscalização mais rigorosa na cadeia de distribuição e revenda.
O deputado defendeu uma atuação mais incisiva de órgãos como Procon, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Agência Nacional do Petróleo (ANP) para combater irregularidades no setor. Para ele, o controle mais efetivo poderia ajudar a evitar distorções nos preços ao consumidor.
Outro ponto destacado pelo parlamentar foi a influência do cenário internacional nos valores dos combustíveis. Ele afirmou que os preços começaram a subir antes mesmo de reajustes oficiais da Petrobras, impulsionados por tensões externas, como conflitos internacionais.
Juarez também reforçou a necessidade de ampliar a capacidade de refino no Brasil, com o objetivo de reduzir a dependência de importações, especialmente de diesel e fertilizantes. Segundo ele, há discussões no governo sobre a recompra de refinarias para fortalecer a produção interna e evitar a exportação de petróleo bruto seguida da reimportação de derivados.
Por fim, o deputado alertou que, caso o cenário externo continue pressionando os preços e não haja uma resposta mais contundente das autoridades, os reflexos devem atingir diretamente a inflação e o setor agrícola. Ele avalia que o encarecimento dos insumos pode comprometer a produção e gerar impactos mais amplos na economia.