Russi rebate Mauro Mendes e garante que CPI da Saúde não será palanque eleitoral
Presidente da Assembleia diz que comissão vai agir com independência e afirma que fiscalizar é dever do Legislativo
Da Redação
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (PSB), reagiu nesta quarta-feira (04/03) às críticas feitas pelo governador Mauro Mendes (União) sobre a criação da CPI da Saúde. Sem elevar o tom, o parlamentar afirmou que a comissão não será utilizada como instrumento eleitoral e que o Parlamento está apenas exercendo sua função constitucional de fiscalização.
A declaração ocorre após Mendes classificar a CPI como “manobra política” e questionar a reabertura de apurações relacionadas à Operação Espelho, que investigou supostas irregularidades na Secretaria de Estado de Saúde entre 2019 e 2023.
Russi minimizou o embate e afirmou que divergências entre os Poderes são naturais, especialmente em ano eleitoral. Segundo ele, críticas fazem parte do processo democrático, mas não impedem o andamento dos trabalhos.
“O governador tem o direito de se posicionar. Assim como nós temos o dever de fiscalizar. A Assembleia é um Poder independente e precisa cumprir seu papel”, declarou.
O presidente da Casa também afastou qualquer intenção político-partidária por trás da comissão e reforçou que o objetivo central é buscar esclarecimentos e contribuir para o aprimoramento da gestão da saúde pública no Estado.
A CPI já está formalmente instalada e será presidida pelo deputado Wilson Santos (PSD), que deverá convocar os membros para definir vice-presidente, relator e iniciar as oitivas. Russi ressaltou que não participa diretamente das decisões internas do colegiado.
Entre os titulares da comissão estão parlamentares considerados próximos ao governo, como Dilmar Dal Bosco (União) e Beto Dois a Um (PSB), além de Chico Guarnieri (PRD) e Janaina Riva (MDB). A formação, segundo interlocutores da Casa, demonstra que a comissão não nasce com viés de oposição.
A instalação da CPI ocorreu após questionamentos sobre a retirada de assinaturas do requerimento. Parecer da Procuradoria da Assembleia concluiu que o regimento não permite exclusão de nomes após a leitura em plenário, o que consolidou a abertura dos trabalhos.
Enquanto isso, outros três pedidos de CPI — que tratam de demarcações de terras indígenas, investimentos federais na faixa de fronteira e legislação penal — seguem sob análise jurídica.
Nos bastidores, o clima é de tensão moderada entre Executivo e Legislativo. Publicamente, porém, Russi insiste: a comissão não será palco eleitoral, mas instrumento de fiscalização.