Pressionado por servidores, Abilio admite impacto no salário, cita exigência legal e abre prazo para revisão dos laudos
“Da Redação Jota Moreira”
Em meio à manifestação de agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, foi pessoalmente até a frente do Palácio Alencastro, nesta segunda-feira (30), para ouvir as queixas da categoria. O principal alvo do protesto é a mudança nos adicionais de insalubridade, que, segundo os trabalhadores, tem reduzido significativamente os vencimentos.
Sem intermediários, o prefeito conversou com os servidores e tentou explicar que a readequação não partiu de decisão direta da gestão, mas de avaliações técnicas feitas por profissionais habilitados. Ele reforçou que os percentuais são definidos a partir de laudos que analisam as condições de trabalho, seguindo normas legais.
Durante a conversa, Abilio destacou que a atualização dos critérios atende a um acordo firmado anteriormente com o Ministério Público, que determinou a revisão dos parâmetros adotados pelo município. Segundo ele, ignorar essa exigência poderia trazer consequências jurídicas para a administração.
Mesmo sustentando a necessidade da medida, o prefeito reconheceu que houve impacto direto no bolso dos servidores e sinalizou possíveis ajustes. Entre as ações anunciadas, está a solicitação de um parecer jurídico para verificar a viabilidade de suspender temporariamente as mudanças, garantindo um prazo para que trabalhadores e sindicatos possam questionar os laudos.
Além disso, ficou definido um novo encontro entre a gestão municipal e representantes da categoria, marcado para esta terça-feira (31), às 10h, no gabinete. A Prefeitura também prometeu dar mais transparência ao processo, com a disponibilização detalhada dos documentos técnicos.
Outro ponto citado pelo prefeito foi a existência de uma decisão judicial provisória que suspende os efeitos da redução dos adicionais. Ele afirmou que o município ainda aguarda a notificação formal para cumprir a determinação.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os estudos que embasaram as mudanças foram realizados após debates com entidades representativas e apontaram falhas nos critérios que vinham sendo aplicados. As alterações chegaram a constar na folha salarial mais recente, mas agora entram em revisão diante da pressão dos servidores e dos novos encaminhamentos da gestão.
