Audiência pública vai reunir moradores, autoridades e órgãos estaduais para discutir impactos sociais e ambientais envolvendo os bairros Silvanópolis e Paraisópolis.
Da Redação Jota Moreira
A possível retirada de cerca de 1,8 mil famílias da região das Águas Nascentes, em Cuiabá, será tema de uma audiência pública marcada para esta quinta-feira (14/05), às 14h, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O debate foi convocado pela vereadora Katiuscia Manteli e pelo deputado estadual Max Russi diante da preocupação de moradores dos bairros Silvanópolis e Paraisópolis com o cumprimento de uma decisão judicial.
A determinação prevê a desocupação da área por conta de questões ambientais envolvendo nascentes e áreas de preservação. A medida também obriga o poder público a recuperar o espaço degradado e apresentar alternativas habitacionais para as famílias atingidas.
A falta de informações claras sobre como o processo será executado aumentou a insegurança entre os moradores. Muitas famílias vivem no local há mais de duas décadas e afirmam ter construído toda a vida na região enquanto aguardavam regularização fundiária.
Nos últimos dias, representantes da comunidade intensificaram reuniões com parlamentares em busca de respostas sobre o futuro das famílias. A principal preocupação é entender quem realmente precisará deixar a área e quais medidas serão adotadas para evitar impactos sociais mais graves.
O caso ganhou grande repercussão por envolver um impasse entre preservação ambiental e direito à moradia. Enquanto órgãos ambientais defendem a recuperação da região por se tratar de uma área considerada estratégica para os recursos hídricos da Capital, moradores pedem soluções que não resultem em despejos sem garantia de moradia adequada.
A audiência pública deverá contar com a presença de representantes do Ministério Público de Mato Grosso, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, Governo do Estado e Prefeitura de Cuiabá. Órgãos ambientais e fundiários também foram convidados para participar das discussões.
Entre os participantes esperados estão integrantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e do Instituto de Terras de Mato Grosso, além de lideranças comunitárias que acompanham o caso desde o início das ações judiciais.
Durante o encontro, os órgãos envolvidos deverão apresentar informações sobre o andamento do processo, além de discutir possíveis encaminhamentos para reduzir os impactos da decisão judicial sobre as famílias residentes na região.
A criação de um cronograma de atuação, com cadastramento social das famílias e definição de prazos, também deve entrar na pauta. A intenção é evitar conflitos e garantir que qualquer medida seja realizada de maneira organizada.
Os organizadores defendem que o debate seja conduzido com transparência e participação popular, buscando uma solução que preserve o meio ambiente sem desconsiderar a situação social das centenas de moradores afetados pela decisão judicial.