Caso envolvendo secretário municipal reforça cobrança por fiscalização e responsabilização de empresas de telefonia e internet
Da Redação Jota Moreira
A presença de fios e cabos soltos em postes voltou ao centro do debate na Câmara Municipal de Cuiabá. Da tribuna, a vereadora Michelly Alencar (União Brasil) chamou atenção para o problema, que, segundo ela, tem colocado em risco a segurança de quem circula pelas ruas da capital.
Durante o pronunciamento, a parlamentar relatou um episódio recente que evidencia a gravidade da situação. O secretário municipal de Esporte, Jefferson Neves, acabou ferido após ser atingido por um cabo solto enquanto trafegava por uma via com pouca iluminação. Ao fazer uma conversão em uma esquina, ele foi surpreendido pelo fio, possivelmente de telefonia ou internet, que atingiu seu pescoço com força.
De acordo com Michelly, o impacto deixou marcas visíveis e poderia ter terminado de forma muito mais grave. “Se estivesse em maior velocidade ou em outra circunstância, poderíamos estar falando de uma morte”, alertou.
A vereadora ressaltou que o caso não é isolado e reflete uma realidade enfrentada diariamente por moradores de Cuiabá. Diante disso, cobrou medidas imediatas e a responsabilização das empresas responsáveis pela instalação e manutenção da fiação urbana. “Quantos fios ainda estão espalhados pela cidade, colocando vidas em risco? É preciso agir antes que uma tragédia aconteça”, afirmou.
Na mesma sessão, o tema também foi debatido durante a Tribuna Livre. A secretária municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, e o coordenador da Energisa em Mato Grosso, Jorge Sírio, foram convidados a prestar esclarecimentos sobre o cenário atual.
Representando a concessionária, Jorge Sírio reconheceu que o problema é antigo e complexo, mas destacou que já existem ações em andamento. Segundo ele, uma força-tarefa envolvendo a empresa e o poder público já retirou mais de 10 toneladas de cabos irregulares em Cuiabá. Ele também afirmou que empresas clandestinas estão sendo identificadas e que redes fora das normas estão sendo removidas. “É um trabalho contínuo, que exige união entre todos os envolvidos”, pontuou.
À frente da Secretaria de Ordem Pública há um ano e quatro meses, Juliana Palhares classificou a situação como um dos principais desafios da gestão. Segundo ela, o apoio da Câmara foi essencial para atualizar a legislação municipal, que antes era considerada confusa e pouco efetiva.
A secretária chamou atenção para a atuação de empresas que terceirizam — e até quarteirizam — serviços, o que, na prática, acaba dificultando a responsabilização. “Muitos desses prestadores deixam fios soltos, atuam sem contrato com a Energisa e fora das normas da Anatel e da Aneel”, explicou.
Como resposta, a Prefeitura, em parceria com a Energisa, iniciou ainda em 2025 a operação “Telefone Sem Fio”, voltada à retirada de cabos irregulares e à organização da rede urbana. A iniciativa já começa a ser replicada em outros municípios de Mato Grosso e tem despertado interesse até de cidades de outros estados.
Juliana destacou ainda que Cuiabá tem avançado ao estruturar legislação específica para enfrentar o problema, algo que, segundo ela, ainda não é realidade em muitos municípios brasileiros.
Por fim, reforçou o papel da população no enfrentamento da situação. A orientação é que moradores denunciem fios soltos e pontos de risco por meio dos canais da Energisa ou da Secretaria de Ordem Pública, enviando fotos e a localização para agilizar a fiscalização.
Fonte: Da Assessoria.